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Uma grande batalha está sendo travada entre as tradicionais rolhas
de cortiça e as novas e tecnológicas tampas de alumínio
com rosca (ScrewCap). A nova tampa preserva melhor as qualidades do vinho,
enquanto que o uso da rolha de cortiça para fechar as garrafas pode
não vedar bem e fazer com que vinhos oxidem. Além disso,
se a rolha estiver defeituosa, pode passar o gosto do "TCA" (Tri-Cloro-Anisol)
dela para o vinho.
Há dois lados da moeda a serem analisados. De um lado, a rolha de cortiça que agrega charme e valor ao vinho. Do outro lado, as roscas de alumínio que vedam bem as garrafas de vinho e ainda permitem uma abertura simples, sem uso de um saca-rolhas. Economicamente, as roscas de alumínio são bem mais baratas que uma rolha convencional. Defensores do novo sistema, alegam que as rolhas são ultrapassadas e que além dos diversos defeitos, exigem que o vinho permaneça guardado na posição horizontal para evitar o ressecamento. Mas então as rolhas de cortiça estão com seus dias contados? Vamos proseguir com os fatos: Alan Limmer, um conceituado enófilo Neo Zelandês, escreveu em 2005 um artigo para uma revista australiana dedicada à enologia dizendo que as roscas "ScrewCaps" podem gerar aromas de enxofre, conhecido como "SLO" (Sulphur-Like Odour). Se por um lado as roscas parecem uma evolução tecnológica eficaz, cabe também ressaltar que as rolhas de cortiça, por serem mais porosas, permitem uma pequena passagem de oxigênio, o que beneficia muitos vinhos de guarda, resultando em uma evolução mais harmoniosa. Um fato que causou polêmica recentemente, foi que um grande viticultor português, anunciou que vai substituir todas as rolhas de sua linha de vinhos, pelas tampas de alumínio. Os portugueses consideraram esta atitude, uma traição ao seu país, pois Portugal é disparado, o maior produtor de rolhas e exporta para o mundo todo, gerando grande movimentação econômica. No final das contas, nenhum dos sistemas de fechamento da garrafa é perfeito. Com rolha, o vinho pode adquirir odores de TCA e com "ScrewCaps" o vinho pode adquirir odores de SLO.
Mas para vinhos em garrafas de tamanho normal, que geralmente são apreciados por um grupo de pessoas, as rolhas não devem ser substituídas pelas roscas, pois parte do glamour no ato de servir o vinho se perderá. As evoluções tecnológicas servem para ajudar na melhora no vinho, mas a evolução deve ser adequada. Nós, amantes de um bom vinho, temos receios em aceitar de cara, tudo o que a tecnologia impõe. Já é difícil aceitar a "tecnologia" de embalar vinho em garrafas PET ou em caixinhas Tetra Pak. Se comprovarem
que as ScrewCaps são melhores para o vinho do que a rolha, apoiaremos
a mudança. Agora, se isso for só para diminuir custos de
produção, esperemos que os custos sejam repassados para nós,
cosumidores e apreciadores finais.
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